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Morre o professor e pesquisador Hilário Ferreira, referência da luta antirracista e da memória negra no Ceará

Faleceu, no Ceará, o professor, pesquisador e escritor Hilário Ferreira, reconhecido como uma das principais referências da luta antirracista e dos estudos sobre a população negra no Estado. A informação foi divulgada pela Secretaria da Cultura do Estado do Ceará na manhã deste sábado (9). A pasta manifestou “profundo pesar pelo falecimento”.

Doutorando em História pela Universidade Federal do Ceará, mestre em História Social e graduado em Ciências Sociais pela mesma instituição, Hilário Ferreira construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com a educação, a pesquisa acadêmica e a preservação da memória da população negra cearense. O pesquisador também atuou como professor da Faculdade Ateneu, contribuindo para a formação de diversas gerações de estudantes.

Hilário Ferreira era reconhecido pelos estudos sobre escravidão, tráfico interno de pessoas escravizadas, relações raciais e cultura afro-cearense. Entre suas principais obras está o livro “Catirina minha nega, teu sinhô tá te querendo vender”, considerado uma importante contribuição para a compreensão das dinâmicas sociais e raciais no Ceará.

Sua produção acadêmica também abordou temas ligados às disputas de narrativas sobre os centenários da abolição no Ceará, envolvendo instituições como o Instituto Histórico do Ceará, o Museu do Ceará, a imprensa cearense e os movimentos negros.

Além da trajetória acadêmica, Hilário Ferreira teve forte atuação cultural e social. Participou de grupos de Maracatu e Afoxé, além de integrar iniciativas ligadas à valorização da cultura negra no Estado. O pesquisador também esteve presente na exposição “Quilombolas”, realizada no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, e participou das edições de 2023 e 2025 do Festival Afrocearencidades.

Em nota, a Secult ressaltou a importância da trajetória do intelectual para a cultura e a memória do povo negro cearense.

“Professor Hilário Ferreira deixa um legado de conhecimento, resistência e compromisso com a cultura e a história do povo negro cearense. Sua atuação como educador, pesquisador e militante do movimento negro permanecerá como inspiração para as futuras gerações”, destacou a pasta.

A secretaria também manifestou solidariedade aos familiares, amigos, alunos, colegas e à comunidade acadêmica e cultural do Ceará.

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