Por Allan Marinho

Pacatuba vive, sob a administração da prefeita Larissa Camurça, um período de transformação que ainda está em construção. Com pouco mais de um ano e meio de governo, a gestão já apresenta um conjunto expressivo de obras, projetos e ações, mas também enfrenta o desafio natural de transformar investimentos anunciados e contratos assinados em resultados concretos para a população.

A avaliação de um governo municipal não pode ser feita apenas pela quantidade de obras anunciadas. É preciso observar o que foi contratado, o que está efetivamente sendo executado, quanto já foi pago, quais equipamentos foram entregues e, principalmente, qual impacto essas ações produzirão na vida dos pacatubanos.

E é justamente nesse ponto que a administração Larissa Camurça começa a apresentar uma característica marcante: a retomada da capacidade de investimento público.

Uma cidade com canteiros de obras

Os dados disponíveis no Portal da Transparência mostram um volume significativo de investimentos. A base consultada registra 18 obras, com valor total informado superior a R$ 120 milhões. Entre os projetos aparecem a urbanização, pavimentação e drenagem da Avenida XIX, a requalificação do sistema viário, a reforma da Areninha do Jereissati II, a construção de uma rodoviária, uma UBS na Pavuna, um CAPS Infantil e equipamentos ligados à educação, esporte e assistência social.

Não se trata apenas de uma lista de promessas.

Há contratos formalizados e obras em execução. A construção da nova rodoviária, por exemplo, possui contrato de R$ 4,645 milhões e prazo de execução de um ano. A obra já teve medição e pagamento registrados no Portal da Transparência.

Na Avenida XIX, o investimento contratado chega a R$ 6,628 milhões, incluindo urbanização, pavimentação e drenagem. O contrato possui vigência até 2027 e a primeira medição já aparece registrada no sistema municipal.

A reforma da Areninha do Jereissati II representa outro investimento superior a R$ 2,2 milhões, também com execução iniciada.

Esses números ajudam a compreender uma das marcas da atual administração: a aposta em infraestrutura como instrumento de transformação urbana.

O desafio agora é entregar

Mas existe uma diferença fundamental entre contratar uma obra e entregar uma obra.

Esse talvez seja o principal teste da administração nos próximos meses.

Os próprios dados oficiais mostram que boa parte dos grandes investimentos ainda está em andamento. Portanto, seria precipitado considerar essas iniciativas como realizações concluídas.

A população não mede uma obra pelo valor do contrato. Mede pelo asfalto que chega à sua rua, pela drenagem que resolve um problema histórico, pelo equipamento de saúde que começa a funcionar, pela praça que passa a ser utilizada, pela escola que recebe melhores condições e pelo serviço público que efetivamente melhora.

Larissa Camurça terá, portanto, uma segunda etapa de governo particularmente importante: converter o volume de investimentos em obras entregues e serviços percebidos pela população.

Saúde aparece entre as prioridades

Na área da saúde, a construção de uma Unidade Básica de Saúde de Porte II na Pavuna e do CAPS Infantil mostra uma tentativa de ampliar a estrutura física da rede municipal. Os dois projetos aparecem entre as obras em andamento registradas no Portal da Transparência.

O CAPS Infantil merece atenção especial porque representa investimento em uma área que ganhou enorme importância nos municípios brasileiros: o atendimento especializado de crianças e adolescentes.

Mais uma vez, entretanto, o resultado definitivo dependerá não apenas da construção física.

Será necessário avaliar posteriormente equipe, capacidade de atendimento, funcionamento, acesso da população e qualidade do serviço.

Educação: um problema antigo que precisa de solução

Na educação está talvez um dos desafios mais simbólicos da administração.

Registros da Câmara Municipal mostram que a situação de creches inacabadas é um problema que se arrasta de administrações anteriores. Em documento parlamentar, aparece a expectativa de retomada dessas construções mediante a regularização da documentação necessária.

Resolver obras abandonadas possui um significado que ultrapassa a construção física.

É também uma demonstração de capacidade administrativa: recuperar aquilo que ficou pelo caminho, reorganizar projetos, encontrar fontes de recursos e fazer com que investimentos antigos finalmente produzam benefício social.

Infraestrutura como vitrine da gestão

É na infraestrutura, contudo, que a administração apresenta atualmente seu conjunto mais visível de investimentos.

A requalificação do sistema viário, a urbanização da Avenida XIX, a reforma da Areninha do Jereissati II e a construção da rodoviária compõem uma agenda que pode modificar espaços importantes da cidade.

A rodoviária, por exemplo, possui contrato de R$ 4,645 milhões e já apresenta execução financeira registrada.

A Avenida XIX representa outro investimento expressivo, com contrato superior a R$ 6,6 milhões.

Se concluídos dentro dos cronogramas previstos e com qualidade, esses projetos poderão se transformar em símbolos físicos da administração.

Uma gestão ainda em fase de construção

É preciso reconhecer também que Larissa Camurça ainda não chegou ao momento de apresentar um balanço definitivo de sua administração.

O governo está em curso.

Isso significa que tanto os apoiadores quanto os críticos precisam evitar conclusões antecipadas.

Para quem apoia a prefeita, o argumento é evidente: há investimentos, obras contratadas, movimentação administrativa e uma tentativa de transformar a infraestrutura urbana de Pacatuba.

Para quem faz oposição, existe igualmente um campo legítimo de cobrança: quanto já foi efetivamente entregue? Quanto já foi pago? Qual o cronograma das obras? Quais resultados os serviços estão produzindo? Existem atrasos? Qual o impacto dos investimentos nas contas municipais?

Essas perguntas fazem parte do processo democrático e são tão importantes quanto o anúncio de uma nova obra.

O estilo Larissa

A administração também vem construindo uma imagem política própria.

Larissa Camurça representa uma nova geração na política municipal e sua comunicação pública procura associar a figura da prefeita à ideia de presença, proximidade e transformação.

Essa estratégia ganhou força em eventos públicos e ações de grande visibilidade, como a realização da Paixão de Cristo de Pacatuba, que recebeu inclusive manifestação de aplauso registrada na Câmara Municipal.

A política de eventos, cultura e ocupação dos espaços públicos pode parecer secundária diante de obras de infraestrutura, mas possui importância na construção da identidade de uma cidade.

Pacatuba tem patrimônio histórico, paisagem serrana, cultura e potencial turístico. Uma administração que consiga combinar infraestrutura com cultura, turismo, meio ambiente e desenvolvimento econômico poderá produzir uma transformação mais ampla do que aquela percebida apenas pelo número de obras.

O que será decisivo daqui para frente

O segundo ciclo da administração Larissa Camurça terá alguns desafios claros.

Primeiro: concluir as obras atualmente em andamento.

Segundo: transformar os investimentos em serviços públicos de qualidade.

Terceiro: manter equilíbrio fiscal e transparência diante do volume de investimentos.

Quarto: resolver problemas históricos, especialmente aqueles relacionados a obras abandonadas.

Quinto: transformar obras isoladas em uma estratégia permanente de desenvolvimento urbano.

E existe ainda uma questão fundamental: planejamento.

Pacatuba não precisa apenas de obras. Precisa definir que cidade deseja ser nos próximos dez ou vinte anos.

Uma cidade serrana integrada à Região Metropolitana, com potencial turístico, cultural e ambiental, precisa pensar mobilidade, saneamento, preservação ambiental, ocupação urbana, desenvolvimento econômico, habitação, educação e geração de emprego como partes de uma mesma estratégia.

Um governo que será julgado pela entrega

Até aqui, os números indicam uma administração com forte concentração de esforços em obras e infraestrutura.

O volume de investimentos registrados é relevante e demonstra capacidade de movimentação administrativa.

Mas a história de uma gestão municipal não é escrita pelos contratos assinados.

É escrita pelas obras entregues.

É escrita pelo serviço que funciona.

É escrita pela criança que encontra uma vaga na creche, pelo paciente que consegue atendimento, pelo morador que deixa de enfrentar lama e alagamento, pelo jovem que encontra um espaço esportivo adequado e pelo cidadão que percebe que a cidade está melhor.

Larissa Camurça ainda está construindo sua marca administrativa em Pacatuba.

Os primeiros capítulos apontam para uma gestão que escolheu investir, reorganizar e colocar obras em movimento.

Agora vem a parte mais difícil: entregar.

E será pela capacidade de transformar projetos em resultados concretos que a população, ao final do mandato, fará a verdadeira avaliação do governo.